QUEM SE ATREVE A ME DIZER DO QUE É FEITO O SAMBA
Sem fatos, sem imagens.
E é assim: um dia após o outro, dentro de uma rotina agoniante. Letras e números embaralhando-se, dançando e, quando você imagina que tudo pode vir a dar certo, essa dança passa a um nível mais alto de vale-tudo. Claro que isso faz seu cérebro dar voltinhas de aflição, porém de forma consciente. E se não fosse, poderia até, mas seria tudo da mesma forma. Planos feitos, postos em papel, postos até na cabeça, como se soasse engraçado. E de forma extremamente branda, eu os vejo vagarem, com um riso próprio saltitando de faíscas, e perderem o rumo.
Mas como é isso? Como é que funciona? Não estava assim, indo “quase-tudo” tão bem, mas por quê mudar, ô criaturas humanas. E lá eles dizem que não perdesse o foco, não se espere outra oportunidade de ouro na sua vida, para que mude ela própria. Não seria esta uma atitude vã. Tudo isso, diferentemente para você que lê, soa como pergunta para mim que escreve. Porém o cansaço enorme de interrogações me consome em forma de ponto final.
E me entrego de forma sem cabimento, sem consciência dos fatos, apenas com um movimento, e coloco meu mundo de ponta cabeça, como uma ampulheta velha e sem utilidade. Aí já não adianta fazer essas velhas perguntas que não vão encontrar respostas, apenas seguir por esse caminho tortuoso de ladrilhos, vez ou outra encontrando uma gota de orvalho para amenizar a situação de cada dia.
Parece até estranho esquecer o núcleo principal desse enredo dramático. Não, analisando de uma melhor forma - de forma extremamente psicanalítica - tal esquecimento exprime-se como uma fulga. Fulga do pior: pior momento, pior lugar, com as piores companhias, das piores formas de relacionamento.
E depois me perguntam por que eu sempre escolho dançar conforme esse samba.