Desisto, quase

Foram incontáveis vezes em que meus ouvidos - ainda com a constante tentativa árdua de cultivar passivas e prestáveis pálpebras nos mesmos - tiveram o desprazer de sentir o contradizer humano. Então cada pessoa é feita para o que é. Então cada um tem sua personalidade, o interessante da vida é isso. O interessante é cada um ser diferente. Não diga.
E não diga mesmo, porque a hipocrisia é para bem poucos, aqueles de maleáveis olhos de ressaca, e não para qualquer ser encoberto de beleza e desprovido de sanidade.
Conheço, na verdade - só conheço - seres indizíveis que tentam dizer. Que não têm, POR FAVOR, a capacidade de interpretar um conjunto de palavras sequer, com fatos históricos e poemas acoplados. Até aí, um animal qualquer buscaria conhecimento, novas percepções. Mas não.
“Gosto das coisas simples da vida” - 789966441123 membros.
Defina “‘coisas simples da vida”. Uma letra de funk. Uma frase (de autor desconhecido) perdida numa rede de relacionamentos, onde puseram o nome de Clarice Lispector por burrice engano. A preocupação constante para atualizar sua vida virtual, porque, claro, não queremos que ninguém fique de fora dos fatos. De, ó, dizer que ama Charlie Chaplin, mas sem sequer saber o nome de seu personagem principal.
Digo isso, ironicamente, percebendo que faço parte de toda essa sociedade fantasiada de carnaval, nos mínimos detalhes, e prevendo a fácil veste que tudo isto terá: jovens idosos (ou idosos jovens) com Solfiéri entre os dedos, lendo revista Capricho.
Sem esquecer o mais importante: tudo isso, denunciando sempre a chamada “Juventude Clichê”.
Caso tenha soado como um desabafo, pois sim, consegui transparecer o que desejava por meio dessas palavras fáceis. Como diz uma pessoa que conheço e tenho tamanho apreço: “Quié quieu tou fazendo aqui?”
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rebloguei porque achei muito foda (na falta de uma palavra melhor e mais adequada) e verdadeiro.
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