
September 2011
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August 2011
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April 2011
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Sem fatos, sem imagens.
E é assim: um dia após o outro, dentro de uma rotina agoniante. Letras e números embaralhando-se, dançando e, quando você imagina que tudo pode vir a dar certo, essa dança passa a um nível mais alto de vale-tudo. Claro que isso faz seu cérebro dar voltinhas de aflição, porém de forma consciente. E se não fosse, poderia até, mas seria tudo da mesma forma. Planos feitos, postos em papel, postos até na cabeça, como se soasse engraçado. E de forma extremamente branda, eu os vejo vagarem, com um riso próprio saltitando de faíscas, e perderem o rumo.
Mas como é isso? Como é que funciona? Não estava assim, indo “quase-tudo” tão bem, mas por quê mudar, ô criaturas humanas. E lá eles dizem que não perdesse o foco, não se espere outra oportunidade de ouro na sua vida, para que mude ela própria. Não seria esta uma atitude vã. Tudo isso, diferentemente para você que lê, soa como pergunta para mim que escreve. Porém o cansaço enorme de interrogações me consome em forma de ponto final.
E me entrego de forma sem cabimento, sem consciência dos fatos, apenas com um movimento, e coloco meu mundo de ponta cabeça, como uma ampulheta velha e sem utilidade. Aí já não adianta fazer essas velhas perguntas que não vão encontrar respostas, apenas seguir por esse caminho tortuoso de ladrilhos, vez ou outra encontrando uma gota de orvalho para amenizar a situação de cada dia.
Parece até estranho esquecer o núcleo principal desse enredo dramático. Não, analisando de uma melhor forma - de forma extremamente psicanalítica - tal esquecimento exprime-se como uma fulga. Fulga do pior: pior momento, pior lugar, com as piores companhias, das piores formas de relacionamento.
E depois me perguntam por que eu sempre escolho dançar conforme esse samba.
February 2011
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Todos os dias esvaziava uma garrafa, colocava dentro sua mensagem, e a entregava ao mar.
Nunca recebeu resposta
Mas tornou-se alcoólatra
de Marina Colasanti
January 2011
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Foram incontáveis vezes em que meus ouvidos - ainda com a constante tentativa árdua de cultivar passivas e prestáveis pálpebras nos mesmos - tiveram o desprazer de sentir o contradizer humano. Então cada pessoa é feita para o que é. Então cada um tem sua personalidade, o interessante da vida é isso. O interessante é cada um ser diferente. Não diga.
E não diga mesmo, porque a hipocrisia é para bem poucos, aqueles de maleáveis olhos de ressaca, e não para qualquer ser encoberto de beleza e desprovido de sanidade.
Conheço, na verdade - só conheço - seres indizíveis que tentam dizer. Que não têm, POR FAVOR, a capacidade de interpretar um conjunto de palavras sequer, com fatos históricos e poemas acoplados. Até aí, um animal qualquer buscaria conhecimento, novas percepções. Mas não.
“Gosto das coisas simples da vida” - 789966441123 membros.
Defina “‘coisas simples da vida”. Uma letra de funk. Uma frase (de autor desconhecido) perdida numa rede de relacionamentos, onde puseram o nome de Clarice Lispector por burrice engano. A preocupação constante para atualizar sua vida virtual, porque, claro, não queremos que ninguém fique de fora dos fatos. De, ó, dizer que ama Charlie Chaplin, mas sem sequer saber o nome de seu personagem principal.
Digo isso, ironicamente, percebendo que faço parte de toda essa sociedade fantasiada de carnaval, nos mínimos detalhes, e prevendo a fácil veste que tudo isto terá: jovens idosos (ou idosos jovens) com Solfiéri entre os dedos, lendo revista Capricho.
Sem esquecer o mais importante: tudo isso, denunciando sempre a chamada “Juventude Clichê”.
Caso tenha soado como um desabafo, pois sim, consegui transparecer o que desejava por meio dessas palavras fáceis. Como diz uma pessoa que conheço e tenho tamanho apreço: “Quié quieu tou fazendo aqui?”

“Qual seria a cara de um dia? Sua voz era grave? Ou alegre, como a bonita melodia da caixinha de música da mamãe, aquela que tinha bailarinas girando em círculo?
‘Dias são muito misteriosos, é claro. Às vezes eles passam rapidamente, outras vezes parecem não acabar nunca; no entanto, todos têm 24 horas. Há muita coisa que não sabemos a respeito deles.’”
Eu Sou Alice, Melanie Benjamin








December 2010
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O salão era todo dourado, bege e preto. Eu sentia-me no Egito, em meio à poeira, altas temperaturas e muita hipocrisia querendo ser deusa. Fechava os olhos e por trás de tudo, concomitantemente, constatava-me algo parecido com cacundas de camelo debaixo das minhas pernas. Eu me pergunto onde estou, e, abrindo os olhos, piscando e hesitando deploravelmente, percebo que não, eu não estava no Egito.
Ainda que aqueles seres horrendos se permitissem a encarnar estátuas humanas - douradas - e me encarar de forma tão erótica, levando em conta o que estava bem perto de alcançar meus olhos, é, algo bem abaixo de seus olhos e coberto pelos trajes de servos de faraó.
“De que Nárnia eu vim e qual paraquedas o Mário me deu? Cadê minha mãe?” - era o que desviava pelas tripas do meu cérebro feito cobrinha de jogo de celular - enquanto eu talhava na xícara de um café poeirento uma tatuagem vaga, abstrata.
Enquanto eu o fazia, eu ponderava que seria aquele o ensejo do meu anseio. A colher rangia, vibrando ferozmente meu martelo-bigorna-estribo. O buraco da xícara formaria um buraco na mesa. Estava melhorando. Com um ritmo cada vez mais profissional, o buraco chegaria ao chão, onde formaria uma toca de macaco. Finalmente eu sairia desses galhos de coelhos de olhos bravamente vermelhos.
Minha toca está pronta.
November 2010
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Eu sorrio. Meu concorrente franze o cenho (de preocupação, presumo).
Eu leio com calma, desfruto de cada palavra. Meu concorrente aprendeu com a tartaruguinha-verde: quanto mais rápido, mais coisa se aprende.
Eu posto no twitter. Ou no blog, tumblr, seja lá o que isso signifique. Meu concorrente posta em sua terceira agenda de contatos profissionais.
Eu acordo cedo. Meu concorrente já fez o desdejum, já meditou, montou um quebra-cabeças de 10001 peças e está na quadragésima questão de medidas para salvar a humanidade.
Eu aprendo o que é um corpo de fundo, fico feliz, me identifico com ele. Meu concorrente é praticamente um solvente, e dos bons.
Eu conheci alguém com quem vou casar-me futuramente ― o dito cujo ainda não sabe de tal plano, contarei quando conhecê-lo. Meu concorrente está satisfeito com a poupança que está juntando para sua terceira filha estudar em Yale University, além das outras primeiras. Não faltarão pretendentes, digo, moças bonitas e sinceras e, é, sinceras.
Eu ainda não sou gente quanto mais projeto. Meu concorrente acaba de ter algo parecido com um ataque fulminante, por ter vivido tantas emoções.
Eu ainda não vivi. Meu concorrente recebe por cima de seu corpo (frio e pálido) o último punhado de areia, portanto, enfim.
Inspirado em “Mílton e o Concorrente”, Moacyr Sciliar ― texto o qual identifiquei-me horrores.
Humor
Amor
Humor
de Oswald de Andrade
October 2010
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O silêncio era tão afinado que chega a me doer os ouvidos.
Foi quando percebeu, isso, o noticiário estava ligado, informando mais uma vez um plano santo político. Algo normal. Escadas. De degrau em degrau. Nem as surradas sapatilhas de ballet conseguiam passos em sigilo. Por que madeira, mãe? Faz muito barulho. De modo um tanto quanto teatral, dramática como sempre fui, agarrei-me ao corrimão e desci, quase me arrastando ao chão. Arrastada, ora, era isso que estava fazendo comigo mesma. Sempre há uma lacuna, era esse o tormento de ser literária demais. Musical demais. Paronomásia.
Iludida? Não, pode ir sem medo. Sempre fui desconfiada, nunca acreditei no amor e a única concepção de beleza que faz brilhar meus cansados olhos são as letras dos meus livros. A sonoridade. Como pode então, tantas pessoas, ou o que sejam, pensaram, imaginarem, planejarem, tantos absurdos ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo que estou aqui, acompanhando os reflexos da televisão que saem da porta do quarto (onde você está agora), arrastando-me pela escada de madeira barulhenta, vez ou outra encarando minha sapatilha de ballet, emaranhando-me em tantos devaneios.
Agora - lembro -, estou na escada, escada a qual guarda um depósito, depósito pequeno, onde você abriga sua guitarra, seu violão. São só coisas. Coisas que fazem barulho igual a madeira, que me dão agonia. Regurgitação, de lágrimas. Lágrimas estas, secas, sem caminho. Sem caminho, tal qual a pessoa que se arrasta numa escada.
A televisão é desligada, isto é deduzido pelo desaparecimento do jogo de luzes que refletiam no assoalho. O silêncio era tão afinado que chega a me doer os ouvidos.
E, desde modo assustadoramente infantil, permanecemos a dialogar. Um diálogo perdido no silêncio. Você, no quarto. Eu, ainda na escada. Vamos, acabe logo com isto.
Último degrau, toco o assoalho frio. Meu Deus, calçar estas sapatilhas e nada daria no mesmo. Imagino como está lá fora, a brisa fria arrepiante. Pela penúltima vez, encaro o depósito da escada. A chave. O chaveiro. Agora, pela última vez. A porta de entrada, maçaneta.
Era realmente como eu imaginara: noite fria arrepiante.
Até amanhã.
”Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.”
Machado de Assis, O Empréstimo
Que seja, outrora, antiquada a concepção de semimorte. Digo catalepsia. Não, a solidão. Posso, pois, interpretar todas as personalidades, duplas como as pontas dos meus cabelos, de forma mútua. Não é duvidoso ainda que nosso habitat natural seja a exploração e a ostentação de detalhes completamente medíocres. E com grandiosa veleidade passo a contradizer com os seres imperfeitos com quem convivo (lê-se sobrevivo): o fato de usufruir daquilo que os próprios foram os autores.
:Aquilo que seria o mundo de sonhos que não é compatível com a realidade - e, podemos concordar, que realidade tediosamente assustadora.
:Aquilo onde cada um tenha o chamado direito de voto. Cujo o ser votado é algo conjugado com seus ideais, podendo expressar-se de modo que não tenha o ímpeto de algo parecido com extrato de tomate na sua roupa.
Letras inexistentes, palavras incorretas, sentimentos afetados, lágrimas (embora escassas), expressões de origami. Etcetera. Tudo permitido.
Espaço concebido e concedido.

