(comicidade) Comodidade

motilidade temeridade maturidade intimidade idealidade fatalidade vivacidade humanidade, ora, comicidade

: "Qualidade do comico"

velocidade serenidade prioridade virilidade alacridade imensidade facilidade imaturidade, pois, comodidade

: "Qualidade do comodo, vantajoso, agradavel, confortavel, pratico"

Por que nao?

QUEM SE ATREVE A ME DIZER DO QUE É FEITO O SAMBA

Sem fatos, sem imagens.

E é assim: um dia após o outro, dentro de uma rotina agoniante. Letras e números embaralhando-se, dançando e, quando você imagina que tudo pode vir a dar certo, essa dança passa a um nível mais alto de vale-tudo. Claro que isso faz seu cérebro dar voltinhas de aflição, porém de forma consciente. E se não fosse, poderia até, mas seria tudo da mesma forma. Planos feitos, postos em papel, postos até na cabeça, como se soasse engraçado. E de forma extremamente branda, eu os vejo vagarem, com um riso próprio saltitando de faíscas, e perderem o rumo.

Mas como é isso? Como é que funciona? Não estava assim, indo “quase-tudo” tão bem, mas por quê mudar, ô criaturas humanas. E lá eles dizem que não perdesse o foco, não se espere outra oportunidade de ouro na sua vida, para que mude ela própria. Não seria esta uma atitude vã. Tudo isso, diferentemente para você que lê, soa como pergunta para mim que escreve. Porém o cansaço enorme de interrogações me consome em forma de ponto final.

E me entrego de forma sem cabimento, sem consciência dos fatos, apenas com um movimento, e coloco meu mundo de ponta cabeça, como uma ampulheta velha e sem utilidade. Aí já não adianta fazer essas velhas perguntas que não vão encontrar respostas, apenas seguir por esse caminho tortuoso de ladrilhos, vez ou outra encontrando uma gota de orvalho para amenizar a situação de cada dia.

Parece até estranho esquecer o núcleo principal desse enredo dramático. Não, analisando de uma melhor forma - de forma extremamente psicanalítica - tal esquecimento exprime-se como uma fulga. Fulga do pior: pior momento, pior lugar, com as piores companhias, das piores formas de relacionamento. 

E depois me perguntam por que eu sempre escolho dançar conforme esse samba.

contos em letras garrafais

Todos os dias esvaziava uma garrafa, colocava dentro sua mensagem, e a entregava ao mar.

Nunca recebeu resposta

Mas tornou-se alcoólatra

de Marina Colasanti


Desisto, quase

Foram incontáveis vezes em que meus ouvidos - ainda com a constante tentativa árdua de cultivar passivas e prestáveis pálpebras nos mesmos - tiveram o desprazer de sentir o contradizer humano. Então cada pessoa é feita para o que é. Então cada um tem sua personalidade, o interessante da vida é isso. O interessante é cada um ser diferente. Não diga.

E não diga mesmo, porque a hipocrisia é para bem poucos, aqueles de maleáveis olhos de ressaca, e não para qualquer ser encoberto de beleza e desprovido de sanidade.

Conheço, na verdade - só conheço - seres indizíveis que tentam dizer. Que não têm, POR FAVOR, a capacidade de interpretar um conjunto de palavras sequer, com fatos históricos e poemas acoplados. Até aí, um animal qualquer buscaria conhecimento, novas percepções. Mas não.

“Gosto das coisas simples da vida” - 789966441123 membros.

Defina “‘coisas simples da vida”. Uma letra de funk. Uma frase (de autor desconhecido) perdida numa rede de relacionamentos, onde puseram o nome de Clarice Lispector por burrice engano. A preocupação constante para atualizar sua vida virtual, porque, claro, não queremos que ninguém fique de fora dos fatos. De, ó, dizer que ama Charlie Chaplin, mas sem sequer saber o nome de seu personagem principal. 

Digo isso, ironicamente, percebendo que faço parte de toda essa sociedade fantasiada de carnaval, nos mínimos detalhes, e prevendo a fácil veste que tudo isto terá: jovens idosos (ou idosos jovens) com Solfiéri entre os dedos, lendo revista Capricho. 

Sem esquecer o mais importante: tudo isso, denunciando sempre a chamada “Juventude Clichê”.

Caso tenha soado como um desabafo, pois sim, consegui transparecer o que desejava por meio dessas palavras fáceis. Como diz uma pessoa que conheço e tenho tamanho apreço: “Quié quieu tou fazendo aqui?”

Como um dia pode passar ele mesmo?

“Qual seria a cara de um dia? Sua voz era grave? Ou alegre, como a bonita melodia da caixinha de música da mamãe, aquela que tinha bailarinas girando em círculo?

‘Dias são muito misteriosos, é claro. Às vezes eles passam rapidamente, outras vezes parecem não acabar nunca; no entanto, todos têm 24 horas. Há muita coisa que não sabemos a respeito deles.’”

Eu Sou Alice, Melanie Benjamin